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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Rosas Renoir

Renoir
SUSPIRAM as rosas
e surpreendidas e assustadas
esconderam-se nos seus veludos.
Não eram borboletas!
Nem rouxinóis!
Não eram pavões que passavam pelo jardim.
De um céu ruidoso
caíam essas grandes asas luminosas e inquietas.
Relâmpagos azuis voavam entre os canteiros,
retalhando os lagos.
Tremiam veludos e sedas,
e o pólen delicado,


na noite violenta,
alta demais,
despedaçada,
despedaçante.

Ah, como era impossível
suster a forma das rosas!
Cecília Meireles

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Noções - Doce repouso

Monet



NOÇÕES 




Entre mim e mim, há vastidões bastantes 

Para a navegação dos meus desejos afligidos. 
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos. 
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge. 

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza, 
Só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram. 

Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a: 
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios, 
E este abandono para além da felicidade e da beleza. 

Ó meu Deus, isto é a minha alma: 
Qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário, 
Como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera... 

Cecília Meireles